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A
Região Autónoma da Madeira e
a sua Economia
Maio / 2001
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I - ENQUADRAMENTO INSTITUCIONAL
O arquipélago da Madeira é,
desde 1976 ( mil novecentos e setenta e seis ), uma Região Autónoma,
nos termos definidos pela Constituição da República
Portuguesa, tendo um regime político-administrativo próprio
que se fundamenta nas suas características geográficas,
económicas, sociais e culturais e nas históricas aspirações
autonomistas da sua população.
O Estatuto Político-Administrativo,
como Lei-Quadro, regulamenta os poderes e deveres constitucionalmente
consagrados, definindo os princípios que regem a autonomia, o relacionamento
entre o Estado e a Região, as competências dos órgãos
de governo próprios, bem como os mecanismos de participação
da Região no processo de construção europeia, em
matérias do seu interesse específico.
Em 1997 ( mil novecentos e noventa e sete
), a Constituição da República Portuguesa reconheceu
o carácter ultraperiférico da Madeira e atribuiu ao Estado
português a tarefa de promover o desenvolvimento harmonioso de todo
o território nacional, tendo em conta as desvantagens e constrangimentos
resultantes da ultraperificidade.
Na altura da adesão de Portugal
à Comunidade Europeia, foi anexada uma declaração
ao Tratado de Adesão relativa ao desenvolvimento económico
e social da Madeira e dos Açores, através da qual as Altas
Partes Contratantes assumiram o compromisso de prossecução
de uma política de desenvolvimento económico e social inscrita
num quadro comunitário de derrogação.
Com a aprovação do Tratado
de Maastricht, em 1992 ( mil novecentos e noventa e dois ), os Estados-Membros
reconheceram que as Regiões Ultraperiféricas da União
Europeia, entre as quais a Madeira, sofrem de um atraso estrutural importante,
agravado por diversos fenómenos cuja constância e acumulação
prejudicam gravemente o seu desenvolvimento económico e social.
Aliás, o artigo 130-A ( cento e
trinta ) do Tratado de Maastricht reconhece a necessidade de promoção
de coesão económica e social, através da redução
da diferença existente entre as várias regiões, nomeadamente,
pela recuperação do atraso das regiões menos favorecidas.
No tratado de Amsterdão, o qual
passou a preconizar a adopção pelo Conselho de medidas específicas,
em alguns domínios prioritários, designadamente auxílios
de Estado, política fiscal e zonas francas, com vista a permitir
à Madeira aproximar-se do nível económico e social
médio da União Europeia.
Através dos poderes que lhe foram
constitucionalmente conferidos, a Madeira tem participado com grande empenho
no processo de construção europeia.
II - ENQUADRAMENTO MACROECONÓMICO
1. Ultraperiferia
A Região Autónoma da Madeira, enquanto Região insular
e ultraperiférica, confronta-se com constrangimentos ao seu desenvolvimento
que dificultam o processo de convergência económica e social,
os quais decorrem de características como sejam a própria
insularidade, a reduzida dimensão territorial, as condições
naturais, a descontinuidade interna, a escassez de recursos, o mercado
local diminuto e a localização distanciada dos principais
centros económicos, nacionais e internacionais.
2. Demografia
A concentração demográfica da Região Autónoma
da Madeira é o triplo da verificada quer no País, quer no
total dos Países da Comunidade.
Existe uma excessiva concentração no litoral sul, sobretudo
no Funchal onde reside 45% ( quarenta e cinco por cento ) da população,
e um povoamento muito disperso e fragmentado no restante território.
3. Economia Insular
Como economia insular, é natural o elevado grau de abertura e dependência
do exterior.
O tecido produtivo da Região tem-se caracterizado sobretudo pelo
peso considerável de "actividades tradicionais" e de
carácter artesanal geradoras de fracos rendimentos, como sejam,
por exemplo, as inerentes à produção de bordados
e obras de vime, que actualmente se vêm confrontando com as dificuldades
de integração num modelo económico competitivo.
Por outro lado, a falta de diversificação da estrutura produtiva
reflecte-se também pelas características do tecido empresarial
da Região, atendendo à pequena dimensão das empresas.
Neste contexto, o turismo assume o papel de motor da economia, tendo um
impacto directo em termos de PIB, o qual estima-se que atinja os 30% (
trinta por cento ).
4. Turismo
O aumento da procura da Região como destino turístico, tem
justificado o crescimento da capacidade de alojamento através da
construção de novos empreendimentos turísticos.
Na década de 90 ( noventa ) a capacidade de alojamento cresceu
58% ( cinquenta e oito por cento ), existindo mais de 21.000 ( vinte e
um mil ) camas no final de 1999 mil novecentos e noventa e nove ).
A taxa de ocupação média anual situa-se próximo
dos 65% ( sessenta e cinco por cento ), para a qual têm contribuído
fundamentalmente a procura dos mercados alemão, britânico
e português, que no seu conjunto representam mais de 60% ( sessenta
por cento ) dos turistas da Região.
5. Recursos Humanos
A Economia Regional tem evidenciado uma clara tendência para a terciarização.
O sector terciário emprega actualmente, 53% ( cinquenta e três
por cento ) da população activa por oposição
com os 15% ( quinze por cento ) do sector primário e dos 33% (
trinta e três por cento ) do sector secundário.
Por outro lado, 45% (quarenta e cinco por cento) da população
total activa tem menos de 35 ( trinta e cinco ) anos, e cerca de 55% (
cinquenta e cinco por cento ) do total da população residente
enquadra-se nesta faixa etária.
Apesar da pressão da população jovem que pretende
entrar no mercado de trabalho, a taxa de desemprego tem-se situado a níveis
bastante reduzidos, sendo actualmente de apenas 2,5% ( dois e meio por
cento ), percentagem esta muito inferior à média do país
e dos países comunitários.
6. Contas Regionais
A estrutura sectorial do VABpm, caracteriza-se pela tendência crescente
do peso relativo do sector terciário na economia regional pela
diminuição do sector primário e pela quase estagnação
do sector secundário.
Dentro do sector terciário, as actividades de Comércio (
onde se incluem os hotéis e restaurantes ) e de Transportes e Comunicações,
são aquelas com mais importância.
No âmbito do sector secundário é de salientar a importância
relativa das "Construções e Obras Públicas",
que se deve em grande parte ao esforço de investimento público
dos últimos anos, com vista à redução das
insuficiências da Madeira no âmbito das acessibilidades externas
e internas.
Em termos globais, o PIB por habitante tem crescido de forma significativa
nos últimos anos, numa trajectória de convergência
com a média de Portugal e da União Europeia.
7. Estrutura de Consumo das Famílias
Apesar dessa convergência, o nível médio de vida na
Madeira ainda se situa abaixo dos padrões médios de Portugal
e da União Europeia.
8. Poder de Compra
O poder de compra per capita na Madeira, situa-se igualmente mais de 20%
( vinte por cento ) abaixo da média do País.
Este indicador reflecte uma posição ainda desfavorecida
da Madeira face ao todo nacional, o que se explica pelas suas características
próprias, a maior parte delas directamente provenientes da sua
natureza insular e ultraperiférica.
9. Inflação
Apesar desses constrangimentos, a taxa de inflação na Madeira
tem-se mantido inferior à taxa de inflação do Continente
português nos últimos anos.
III - ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO
1. Dívida Pública Regional
Até 2006 ( dois mil e seis ), com o terceiro Quadro Comunitário
de Apoio, a Região vai receber da União Europeia cerca de
1.097 ( mil e noventa e sete ) milhões de EUROS, correspondendo
a investimentos totais superiores a 2.094 ( dois mil e noventa e quatro
) milhões de EUROS.
Estes recursos serão aplicados sobretudo em acessibilidades, no
domínio do ambiente ( resíduos, abastecimento de água
e saneamento básico ), da energia, das novas tecnologias, da valorização
dos recursos humanos e do desenvolvimento sector produtivo.
Para o aproveitamento integral dos fundos disponibilizados pela União
Europeia, e para o esforço de construção de infra-estruturas
essenciais para superar o atraso estrutural da Economia Regional, tem
sido e continuará a ser fundamental o recurso ao financiamento
bancário.
Sem essa fonte de financiamento e apesar das limitações
de endividamento impostas nos últimos anos, a Madeira não
teria atingido o actual nível de desenvolvimento. A
dívida pública da Madeira atinge os 414 ( quatrocentos e
catorze ) milhões de EUROS, o que equivale a 19% ( dezanove por
cento ) do PIB, com um prazo médio de pagamento de 10 anos e meio.
Desta dívida, 90% ( noventa por cento ) corresponde a empréstimos
obrigacionistas.
Este tipo de empréstimos, pela sua própria natureza, tem
sido o instrumento financeiro mais competitivo e vantajoso para o Governo
Regional da Madeira, em virtude do seu custo final ser mais reduzido que
o resultante dos restantes tipos de empréstimos.
Para reduzir ainda mais o custo destes empréstimos, a Região
Autónoma da Madeira tem actualmente em curso o processo de obtenção
da notação de rating internacional, facto que está
directamente associado à necessidade de financiamento do investimento
público através do recurso ao crédito, não
apenas no mercado nacional, mas também nos mercados internacionais,
com especial incidência na zona EURO.
2. O Centro Internacional de Negócios
da Madeira
O desenvolvimento da Região Autónoma da Madeira passa também
pelo sucesso do Centro Internacional de Negócios da Madeira, que
enquanto instrumento de política de desenvolvimento regional, consubstancia
objectivos:
- De diversificação e reorientação
global da estrutura produtiva de bens e serviços, de modo a propiciar
um maior crescimento do produto;
- De redução das vulnerabilidades,
dependências e ineficiências resultantes da estrutura produtiva
tradicional;
- Do reforço da capacidade competitiva
nos mercados externos, em termos sustentáveis a médio
e longo prazo em contexto de economia aberta;
- E de estímulo à formação
profissional, à oferta de emprego aos jovens que acedem ao mercado
de trabalho e à fixação e recuperação
dos quadros madeirenses mais qualificados.
Para tal, o CINM foi estruturado em quatro
sectores:
- A Zona Franca Industrial, que engloba
as actividades que envolvem movimentação física
de mercadorias, quer sejam de transformação industrial
quer de armazenagem ou stockagem;
- Os Serviços Financeiros, em que
se inserem as actividades bancárias, seguradoras, de gestão
de fundos e de intermediação financeira em geral;
- Os Serviços Internacionais, que
agrupam actividades de gestão ou de comércio internacional;
- E o Registo Internacional de Navios,
que faculta o registo de navios de comércio ou de recreio, de
modo a poderem navegar com a Bandeira Portuguesa, bem como a prestação
de serviços conexos.
O facto do Centro Internacional de Negócios
da Madeira ter sido estruturado em função dos condicionalismos
próprios e específicos de uma pequena região insular
e ultraperiférica, conferem-lhe um carácter único
e singular no seio da União Europeia.
Adaptação do sistema fiscal
O Governo Regional da Madeira tem utilizado também a adaptação
do sistema fiscal nacional como um importante instrumento de estimulo
ao desenvolvimento.
Assim, foram já reduzidas as taxas nacionais de IRS e de IRC para
vigorarem na Madeira e aprovados dois regimes de incentivos fiscais ao
investimento.
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